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12/02/11

BATMAN CONTRA OS PETRALHAS.

Por ser tão absurdo e conotativo, partindo do PIG, peço licença ao site www.melhoresdomundo.net para republicar aqui o que acabo de ler.

Lendo o ótimo Multiverso DC me deparei com a polêmica da semana. Aparentemente, Bruce Wayne assina a publicação de direita da editora Abril ao usar um termo cunhado por seus colunistas.
[Mais:]
Já faz alguns anos que o colunista Reinaldo Azevedo, da Veja, cunhou o termo "petralha". O neologismo é uma mistura de "petista" (simpatizante ou membro do Partido dos Trabalhadores) e irmãos Metralhas, os gêmeos bandidos do universo Disney. Em janeiro, a Panini usou o termo em uma tradução para uma história... Do Batman! Em Batman 98, mais especificamente em uma história de Grant Morrison e Cameron Stewart (publicada originalmente em Batman and Robin #7 lá fora), na página 34 "petralha" surge para substituir a palavra "Nasty". Veja a descrição da cena do usuário Flávio, do Forum Miolos:
O carcereiro que acompanha o morcegão na prisão se refere ao vilão Rei Perolado do Crime como “petralha”. Até onde sei, essa expressão ainda não foi dicionarizada. Trata-se de um neologismo criado por Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja, para designar petistas (petralhas = petistas + Irmãos Metralhas). No original, foi usada a palavra “nasty” (que pode ser traduzida como asqueroso ou desagradável). Achei no mínimo inusitada a opção do tradutor.
Claro, a tradução é uma arte que exige muitos julgamentos subjetivos. Se ainda assim, você acha que é possível uma interpretação que leve a essa opção, recomendo que dê uma olhada em todas as opções que a ferramenta do google sugere. Caio Lopes/DVL é o responsável pela versão em português da HQ. Você encontra uma lista de seus trabalhos em quadrinhos aqui.

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Diversos partidos contribuíram positivamente para o Brasil. Do PMDB ao PSOL, passando sim por PT e PSDB nos últimos anos. Tentar qualificar um ou outro como bandidos, acaba sendo um desrespeito à democracia e à história. "Petralha" é um termo que ficaria ótimo como restrito às publicações que defendem uma bandeira de oposição radical ao governo. É difícil aceitar que alguém use um trabalho com outro foco para defender essa visão. Passa longe de ser uma prova de respeito aos leitores. Ou à democracia. É bom lembrar que nas eleições do ano passado, a internet foi palco de um dos climas mais intolerantes que já vi na vida, digno talvez do pleito de 89. Até o aborto virou bandeira de programa eleitoral.
Não dá para elogiar nada que reviva esse clima.
Após ler o post, pedi uma posição oficial da Panini. Esperava que a editora assumisse uma posição política - o que não deixa de ser direito de qualquer empresa nacional - ou lamentasse a tradução. A resposta, admito, me surpreendeu e veio assinada por Marcio Borges, diretor de Marketing e Comercial da editora:
A Panini considera o termo “petralha” como uma gíria que vem se popularizando no Brasil, e independente da origem do termo, não é mais utilizado no linguajar popular apenas com conotação política, mas como sinônimos para asqueroso, nojento, etc. A empresa ressalta que não tem qualquer intenção de utilizar seus produtos editoriais de entretenimento para fins políticos.

Ou seja, a Panini assina embaixo da tradução e a inclui em seu próprio dicionário. Fico feliz de ver a editora não querer usar produtos editoriais de entretenimento - que fazem sucesso por representar ideais além de qualquer ideologia - mas não dá para concordar com a sua interpretação do neologismo. Em nenhuma época a língua foi feita de cima para baixo de qualquer pirâmide. Editoras trabalham com a língua construída pelo povo. Qualquer linguista irá confirmar que são as pessoas e suas interpretações que constroem e reconstroem seus idiomas.
Então pergunto ao Google: o termo "petralha" tem essa conotação plural ou é exclusivamente político? E ele me diz que a Panini está errada. Seja qual for a intenção da editora, sua ação acaba trazendo uma discussão que nenhum leitor de quadrinhos quer ver quando vai ler um gibi do Batman. Se ninguém liga se Bruce Wayne é republicano ou democrata, que tal não fazer essa opção por ele? A gente só quer saber como ele vai derrotar seu vilão e não em quem ele vota. Grato.
Bugman é a favor de traduções menos ideológicas .

Bugman Email

5 comentários:

  1. A direita tanto aqui quanto nos EUA me dá pena. Eles não tem heróis para cultuar e parece que por vingança criaram milhões de heróis só que todos de mentira. É super para tudo quanto é lado e gosto.É como se dissessem assim: "É herói que vocês querem? Então toma!

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  2. Cara, você deve ser semialfabetizado. Em que época a língua foi feita de cima para baixo? Em todas as épocas.
    Basta ter o respaldo de um grande escritor ou de um dicionário e, voilá, o termo passa a fazer parte de nossa língua.
    Você pode até ficar danado de raiva e chorar ao seu querido deus que não tem um dedo, mas é verdade.
    "Mas em qual livro ou dicionário a palavra petralha está?" Voc~e poderia ter perguntado se não fosse são sabidão.
    Resposta em alguns, como o Grande Dicionário Sacconi -- http://www.siciliano.com.br/produto/2880644/grande-dicionario-sacconi-da-lingua-portuguesa-acompanha-cd-rom-nova-ortografia/?ID=42F947727DA050A1037040231&FIL_ID=102 --
    Pra finalizar, prefiro a Marvel.
    Fui.

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  3. Batman é um playboy psicótico que espalha "justiça" pelos punhos, sem poderes e com sérios questionamentos sobre sua sexualidade (não importando que coloquem Christian Bale ou Steven Seagal como encarnações do Cavaleiro das Trevas).

    Claro que uma pessoa assim tem que votar no PSDB e dar ouvidos ao Reinaldo Azevedo.

    PS.: O Homem-Aranha nunca diria "petralha". Acho que ele votaria no Plínio.

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  4. PIG significa Petralhas da Imprensa Governista? PIG é um termo técnico, científico, político, chulo? Acusar a Panini de politizar chamando-a de PIG é muito "imparcial", não? Objetivo, imparcial e progressista é só quem for governista, petista, lulodilmista, maoísta, chavista?

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  5. Sr. Anônimo, um blog político em apoio às esquerdas não precisa ser imparcial. Agora, uma histórinha de GIBI DO BATMAN conter um termo pejorativo e parcial, cunhado por um cronista político da extrema-direita é absurdo, e ainda mais absurdo a empresa "fingir" que o termo é corriqueiro.
    Observo que esta é exatamente a estratégia da direita: tentar veicular, pouco a pouco, fingindo despretensão, a imagem do PT à imagem de bandidos, criando uma juventude aversa ao partido. Não é nada de novo, o mesmo foi feito em relação ao comunismo pelo cinema hollywoodiano, e em relação aos judeus pela propaganda nazista.
    Ricardo D, a língua não é feita da forma como você considera. Mesóclise tem respaldo de dicionários e grandes escritores, mas praticamente ninguém usa, e quem o faz é ridicularizado e taxado de "rebuscado". O uso excessivo do gerúndio, apesar do ódio ao qual dispensam os "grandes sábios linguistas", segue firme e forte, especialmente em telecenters.
    E lembre-se que uma característica fundamental da aplicação de uma lingueagem é o contexto. Utilizar um termo pejorativo da política partidária em uma revista de super-herói americano é inoportuno e incoerente, além de ser canalhice.

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