O trabalho de detective amador na União Soviética
Antes de partir dos Estados Unidos alguns dos meus amigos aconselharam-me a
não acreditar em tudo o que me diziam. «Só te vão mostrar aquilo que querem que
vejas», avisaram-me. «Por isso mantém os olhos abertos».
De modo que, durante a minha estadia, fiz um pouco de detective amador. As
delegações dos sindicatos vieram indicar-nos quais as fábricas têxteis mais
apropriadas para visitar. Agradecia-lhes amavelmente, mas depois, com o meu
companheiro de viagem, Adam Chada, um mineiro lituano que vivia na Pensilvânia
e falava russo, ia investigar uma fábrica que não tinha sido recomendada pelo
sindicato. Mais tarde visitávamos também a fábrica modelo. Com frequência
deslocávamo-nos em tróleis. Eu puxava Chada pela manga e dizia-lhe: «Vamos
descer aqui». Descíamos e dirigíamo-nos logo para a casa de um operário. Chada
explicava quem éramos, e o operário mostrava-nos a sua casa. Nunca conseguimos
sair sem antes partilharmos uma refeição com o operário e bebermos um bom
vinho soviético. Desta forma, fazíamos em média cerca de seis refeições por dia.
Nas tentativas que fiz para encontrar uma família com fome na Rússia, de que o sr.
Hearst falava, ganhei 15 libras (6,8 kg) de peso.
William Randolph Hearst citado no texto, é o estadunidense tido como pai da imprensa marrom. Ele se aliou a Hitler para fazer propaganda contra Stalin e os bolcheviques tendo feito verdadeiro terrorismo midiático, desinformando, inventando e mentindo.



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